1 de março de 2005

MINHA VÓ FEZ OITENTA ANOS

Terça-feira, dia 22, minha avó completou 80 anos. 7 filhos, vários netos ( preguiça de calcular), muitas histórias, lutas, sofrimentos e alegrias. Às vezes paro pra pensar no quanto temos de nos adaptar aos “novos” tempos e se vou ser capaz.

Quando ela casou, teve a opção de escolher com quem se casaria (privilégio de poucas naquela época). Mas ao mesmo tempo, mal conhecia meu avô. Viram-se no dia em que ele foi fazer uma espécie de “corte” (e foi escolhido) e depois, creio eu, somente no dia do casamento (mesmo que eu esteja enganada, com certeza, não se viram muito mais do que isso). E estão juntos até hoje. Deu certo ou fizeram dar certo?

Hoje já tem até filhos separados. Divórcio. Quem imaginaria?!? Com certeza, ela, não. Minha vó tem uma certeza (invejável até) de que vai morrer aproximadamente um ano após a morte de meu avô porque não faz sentido morrer antes, porque seria um sofrimento para ele, porque pra que viver sem ele, porque, porque, porque...vários porquês podem existir em sua mente. Penso nas coisas que ela passou e em tudo que ela suportou. Ainda assim o ama tanto a esse ponto? Eu imagino (é bem menos poético) que, pelo divórcio não ser nem cogitado, o lance era viver da melhor forma possível, passando, muitas vezes, por cima de suas próprias vontades. Mas (poeticamente) quero acreditar que é mais pelo companheirismo mesmo.

É uma idéia de companheirismo que muitos não conseguem nem sequer imaginar, quanto menos realizar. Hoje, quando podemos namorar quantos forem precisos (e conhece-los muuuito bem), por muito menos, casamentos são desfeitos mesmo antes de começados. Não há mais a cumplicidade, não há mais o perdão. Errou, ta fora; outros virão. É a maldita “era do umbigo”.

Passo muito pouco tempo com minha vó. Venho a Curitiba uma vez por ano, com algumas exceções.

Sempre que venho, percebo o quanto poderia ganhar estando mais próxima dela. Não só pela experiência porque acredito que cada um deve ter suas próprias experiências e não somente crescer pela dos outros. Mas é a oportunidade de ter uma visão de uma época completamente diferente da sua. Uma época que livros de história nenhum podem te ensinar com tanta clareza quanto uma conversa simples com seus avós (e eu odeio história mesmo...rs). Você se sente pequeno e egoísta por achar que o seu cabelo é o maior problema que vc tem hoje em dia. Aprende a dar valor à vida (boa) que leva, à liberdade que tem, às comodidades da tecnologia....aprende a ser mais humilde. Como eu amo a minha batian (vó em japonês).

Teve uma festa no sábado. Entre brigadeiros e beijinhos, algumas conversas (nenhuma delas direta e pessoal) com os parentes. Foi estranho estar junto de grande parte da minha família. Foi quando eu percebi o significado daquela frase “família a gente não escolhe”. Não porque eu não goste deles...rs...mas porque, estranhamente, gosto deles sem nem conhece-los. Conheço muito mais alguns de meus amigos (e os amo muito mais) do que qualquer um (literalmente qualquer um) dos meus primos. Mas família é família. Vc gosta deles automaticamente, meio que por obrigação, porque não faz sentido não gostar da sua própria família. A não ser que tenha motivos...daí sim, é bem justificável...hehe.....mas isso fica pra um outro post porque esse já está comprido demais.

Beijos, Betty.

3 comentários:

Anônimo disse...

Pois é Betty, creio q depois de muuuuitos anos, o amor meio q some, nao completamente, talvez seja só um pouco esquecido, e o companheirismo é o q prevalece. Meus avós tbem sao assim. Eles tem muitos motivos pra se separar, a maioria sao akelas famosas coisinhas de casamento, mas eles nao fazem isso pq é alguma coisa q eles sequer cogitam fazer. Eles sao muito mais COMPANHEIROS do q AMANTES ou apenas MARIDO E MULHER.
Sobre o negocio da família, concordo. Alguns primos meus eu tinha muuuuito contato qdo era criança, mesmo nao morando na mesma cidade. Mas ficamos longe por tantos anos (pq me mudei pra varias cidades e eles continuam nas mesmas ate hj) q a amizade simplesmente se foi. Porem ainda gosto muito deles, mesmo nao sabendo NADA deles atualmente e nao ter nada em comum, tentando puxar papo e tendo aqueles silencios embaraçosos...Meu deus, como to escrevendo hj....tava no orkut ate agora e sao 4 e meia...rsrsrs
Bjao!Ah! Parabéns pra sua vó!
Kris

Ju Br disse...

Betty, querida
Não custa nada frisar q eu tô morrendo de saudades,rs.
Muito obrigada por ter ido atras da agenda pra mim tb, e a pergunta q não quer calar: Qdo vc volta?
Beijos,
da pqna Ju

Kalu disse...

Ai, Betty... e eu sempre me pego pensativa nas suas palavras.
Acho que vc tem que se comprometer a pelo menos, tá ouvindo?, pelo menos a cada dois meses visitar a sua avó...
vai, amiga, aproveita...
nós nao temos muito tempo perto deles.
Te amo ta?